Destaques do Secop 2008 (X)

Florianópolis (16/09/2008) - Pela primeira vez na história, a Região Norte do país foi palco da realização de um Seminário Nacional de Tecnologias da Informação e Comunicação. Isto aconteceu nos dias 27, 28 e 29 de agosto, em Palmas, Tocantins que sediou a edição 36º. do Secop 2008. Durante a abertura, na noite de quarta-feira (27/08), no Centro de Convenções do Parque do Povo, o presidente da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Tecnologia da Informação e Comunicação (Abep) e também presidente do Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina (Ciasc), professor Hugo César Hoeschl, disse na oportunidade que “Palmas, por sediar o principal evento nacional e internacional (Mercosul), na área de TICs para gestão pública, passou a ser durante os três dias a Capital brasileira do Governo Eletrônico”. 

Falou também Hoeschl, que “a escolha de Palmas para sediar o seminário foi uma virtude da filosofia dos dirigentes da Abep, que desenvolvem uma política de descentralização e democratização, nas áreas das TICs e do e-Gov”.

 

O evento realizado na Capital do mais jovem Estado da federação contou com a presença de renomados palestrantes, que debateram “as TICs como instrumento para transparência nos governos”, para um público de mais de 600 congressistas inscritos e diversos internautas conectados. Foram montados 15 estandes, realizadas 12 oficinas e 32 palestras. No Secop também funcionou a WebTV, que de forma inédita transmitiu online, pela Internet, as atividades desenvolvidas no evento.

 

Dentre as palestras, além de outras, teve destaque a que discorreu sobre A Sociedade do Conhecimento, proferida pelo jornalista da Folha de São Paulo, Gilberto Dimenstein, responsável pelo jornalismo comunitário da Folha. Ele falou que “o conhecimento está cada vez mais veloz e o excesso de informação poderá significar confusão”. Desta forma, diz ele, o papel dos congressos dá a direção para o que é mais importante e desempenham a “capacidade sintetizadora e selecionadora das informações”. Assim, colocando em prática as palavras de Dimenstein sobre o papel dos congressos, destacam-se neste espaço duas palestras que enfocaram conteúdos relacionados às Novas Tecnologias e a Data Centers.

Novas Tecnologias

Na palestra que abordou “Os Novos Espaços de Participação Democrática Viabilizados pelas Novas Tecnologias da Informação” proferida por Paulo Roberto Miranda, este enfatizou que, com o surgimento da Web 2.0, houve um deslocamento do usuário da função de mero espectador, para o centro, onde passa a ser o protagonista de conteúdos virtuais em ambientes interativos.

Neste aspecto, a gestão de governos também foi impactada. Assim, tanto o governo, quanto as empresas, como a sociedade precisa transformar-se e adaptar-se ao novo ambiente da virtualização, interatividade e conectividade. Com o surgimento dos dispositivos e aplicações que possibilitam a convergência digital, tanto o cliente, como o cidadão, conectados 24 horas, 7 dias por semana, migram para um ambiente colaborativo e de compartilhamento. Neste novo espaço, cliente/cidadão estão a exigir participação, respostas mais rápidas e eficientes para satisfação de suas necessidades.

Nesse contexto, o palestrante considera que as TICs deixam de exercer um papel de infra-estrutura para passar para uma posição de superestrutura. Onde a e-Governança desempenhará diferentes papéis relacionados a:

  • e-Administração Pública (atividades fins e de gestão);
  • e-Serviços Públicos (serviços de governo);
  • e-Democracia (decisões participativas/deliberativas).

Assim, a superestrutura representada pelas TICs possibilita ao estado aproximar-se do cidadão por meio da interatividade/conectividade, num caminho de múltiplas formas.

O palestrante Paulo Miranda relembrou ainda, o princípio do sistema democrático grego, na qual todos os cidadãos reuniam-se na Ágora (praça) para tomar as decisões. Esclareceu também que, hoje, por meio das novas tecnologias de informação e comunicação, é possível retomar esse sistema e criar um relacionamento mais horizontal, onde o cidadão atua de forma participativa nas tomadas de decisões. Concluiu Miranda dizendo que, “por meio da Internet os governos poderão retomar a Ágora grega e voltar a governar a partir da relação com o cidadão”.

Data Centers

Contemporaneamente, os Data Centers estão passando por significativas transformações/adequações, na qual, antes, eram meros armazenadores de dados/informações; para agora, exercerem uma função de coração pulsante de uma organização de TICs. Assim, esta área deixa de exercer uma atividade estática e passa a desempenhar um papel dinâmico.

Esses dados/informações chegam e saem dos Data Centers utilizando recursos computacionais e dispositivos eletrônicos, pelas mais variadas formas e localizados em diferentes locais. No entanto, eles devem estar estruturados de forma robusta, porém ágil, para garantir a alta disponibilidade ao usuário conectado. Por alta disponibilidade, deve ser entendido como um sistema resistente a falhas de software, de hardware e de energia.

Para cumprir o seu papel ininterruptamente de alta disponibilidade, alta densidade e alta performance os Data Centers devem atender as mais rigorosas normas, padrões, disciplinas, metodologias e melhores práticas internacionais e nacionais, tais como:

  • Norma ABNT NBR ISO/IEC 20000 - Gestão de TI e Gerenciamento de Serviços;
  • Norma ISO/IEC 17779 - Sistema de Gestão de Segurança da Informação;
  • Norma ABNT NBR ISO 9001 - Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ); Norma ANSI/TIA-942 - Telecommunications Infrastructure Standard for Data Centers;
  • Modelo ITIL - Information Technology Infrastructure Library (é o modelo de referência para gerenciamento de processos de TI);
  • Guia CobiT - Control Objectives for Information and related Technology (CobiT é um guia para a gestão de TI recomendado pelo ISACF (Information Systems Audit and Control Foundation, www.isaca.org);
  • Gerenciamento de Risco à Tecnologia da Informação.

Assim, a palestra “Soluções em Infra-estrutura de Data Centers”, ministrada por José Wagner Piva, bem como o manual distribuído, enfatizaram que a engrenagem do Data Center terá que trabalhar sincronizadamente de formas a atender há quatro condições básicas, pois, caso uma destas não funcionar as demais sofrerão impactos.

  • 1) “Infra-estrutura: Para que o ambiente não seja afetado pelos problemas decorrentes de “crises nos data centers” e para atender ao nível de SLA (Acordo de Nível de Serviço) desejado, é necessário que ele seja projetado e concebido com sistemas adequados e redundantes de climatização, energia, comunicação e monitoração, com autonomia, adaptabilidade e redundância, dedicados exclusivamente aos ambientes críticos.
  • 2) Segurança Física: De nada adianta possuir sistemas redundantes se os equipamentos de missão crítica de TI não estiverem protegidos contra riscos físicos, que podem causar a paralisação das atividades, como um possível incêndio, vazamentos, jatos d’água de combate, acesso indevido, roubo ou sabotagem. Em nada adianta ter redundância dos equipamentos se ocorrerem um acidente no ambiente comum. A alta disponibilidade requer que o ambiente esteja altamente protegido, pois, não há disponibilidade sem segurança.
  • 3) Manutenção: Um Data Center requer cuidados constantes, preventivos, corretivos e adaptações para atender a renovação de hardawre. Não é possível garantir segurança e Alta Disponibilidade de um ambiente - a curto, médio e longo prazos - sem serviços de manutenções preventivas e corretivas realizadas por profissionais altamente especializados e treinados para atuarem no ambiente de TI.
  • 4) Conformidade: Existem Normas Regulamentações, nacionais e internacionais, que recomendam e estabelecem a adoção das melhores práticas de Infra-estrutura, Segurança e Manutenção, bem como existem Associações e Institutos acreditados para a Certificação de Conformidade de Data Centers. Conformidade e Certificação são a única garantia para a Segurança e Alta Disponibilidade do Data Center”.

Conclui-se, portanto, que a importância desse ambiente pulsante não pode ser medido tomando-se por base o montante financeiro dos equipamentos, mas, “o valor do Data Center está diretamente relacionado à imagem corporativa da empresa e pode, inclusive, significar a sobrevivência no mercado”.

Mobilidade do LabD3

Além das palestras, exposições e debates, o Ciasc se fez presente neste evento, testando as potencialidades dos aplicativos colaborativos, bem como dos dispositivos que proporcionam mobilidade, interatividade e conectividade do LabD3 - Laboratório de Democracia Direta Digital. Neste sentido, desenvolveu atividades de avaliação do Secop 2008, por meio de votação eletrônica com uso do celular, através de SMS. Também fez postagens em tempo real em ambientes dinâmicos e colaborativos do E-GOV Blog, Twitter, Flickr e  WIki.

Seminário de Integração Secop 2008

 Dessa forma, o Secop 2008, atingiu e superou sem sombra de dúvidas as metas planejadas para a 36ª. edição. Palmas para todos!

E a equipe do Ciasc que se fez presente ao evento, agora, pode de forma pioneira, compartilhar as informações/conhecimentos adquiridos.

Nesse sentido, conforme veiculado no primeiro artigo Destaques do Secop 2008 (I) publicado no e-Gov Blog, de 3/09/2008 e ao encerrar a série 10 de avaliações, convidamos você para participar do Seminário de Integração Secop 2008, que será realizado no dia 19/09/2008, sexta-feira, das 10h às 12h, no auditório do Ciasc, em Itacorubi, Florianópolis.

Veja a programação completa no post  Seminário de Integração Secop 2008

João da Silva Mattos
Assessor do Centro de Tecnologias para Governo Eletrônico do Ciasc

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