Destaques do Congresso de TI Verde (V)

 

Florianópolis (30/10/2008) - Neste quinto post sobre os “Destaques do Congresso de TI Verde”, realizado nos dias 13 e 14 de outubro 2008, em São Paulo, enfocamos os conteúdos apresentados no painel sobre:  Visão dos CIO’s de empresas usuárias de TI e destacamos outras três palestras a saber: 1)  Melhoria Energética/Eficiência de Data Center; 2) Reciclagem de materiais sólidos; 3) TI ajudando a Sustentabilidade.

Painel: Visão dos CIO’s de empresas usuárias de TI

Mediadora: Stela Lachtermacher - Information Week
Debatedores: CIO’s Alipio (Banco Real), Claudio (Fleury), Teresa Cristina (USP) e Celso (Prodesp).

A mediadora Stela Lachtermacher abriu o debate mencionando a videoconferência como forma de reduzir emissão de CO2,a legislação ambiental aplicada a data Centers, o aumento do consumo de energia elétrica ate 2030 (presume-se da ordem de 60%) e apresentou pesquisa dando conta que de cerca de  280 milhões de PC’s vendidos no mundo, 20 milhões foram destinado ao mercado brasileiro.

Participante CELSO MONATERO (Prodesp)

O painelista Celso Monastero - PRODESP começou apresentando institucional da Prodesp, maior empresa de TI governo da América Latina e seu histórico ao longo destes anos, uma apresentação formal mostrando as mudanças emblemáticas nos anos 90 (e-gov) e hoje com cerca de 997 servidores instalados e 89 TB de storage. Mas destacou, efusivamente, que esse gigantismo não sobreviverá se a empresa não se voltar para as atuais demandas de mercado, que busca e valoriza empresas preocupadas com a sustentabilidade.

Essa filosofia já começa a se incorporar na Prodesp, até mesmo na forma de apresentação dessa estatal. Hoje a Prodesp enfatiza em suas apresentações institucionais, a área total de sua sede, a área verde preservada, a área interna reservada para plantio de árvores frutíferas.

Percebemos que a Prodesp, sem perder o foco em seus negócios, realmente se volta para a questão ambiental e de implementação de ações de responsabilidade social além de outras ações citadas de otimização de recursos de TI.

Participante Cláudio Laudeauzer  (Fleury), Gerência de Sustentabilidade e Corporativismo

Breve apresentação de Cláudio Laudeauzer  (Fleury) e suas 4 grandes unidades de negócios (hospitais, laboratórios), cerca de 3000 PC’s distribuídos em 5 estados brasileiros.

Implementaram, via Gerência de Sustentabilidade e Corporativismo, algumas ações sociais dentre as quais:

- Central de idéias, aberta aos colaboradores, sobre sustentabilidade. Colaborador é premiado se sua idéia virar projeto.

- Ações para redução de papel

- Ações para utilização de papel reciclado

- Ações para redução de energia

- Ações para redução de consumo de água

- Ações focadas a sustentabilidade:

- Troca de monitores CRT por LCD

- Reciclagem de equipamentos (contrata empresa para coleta e descarte consciente)

- Novos equipamentos contratados como leasing corporativo (uma forma de engenharia reversa, na qual o fornecedor retoma equpos obsoletos ou indesejados…)

- Reutilização de PC’s

- Utilização de Thin Clients (virtualizacão)

Participante Profa. Teresa Cristina (USP), Comitê de Sustentabilidade

A profa. Tereza Carvalho - USP comentou sobre e-lixo e outros trabalhos de pesquisa e ações aplicadas à área de sustentabilidade na USP, inclusive (e principalmente) de uma ação desenvolvida no dia do meio ambiente, que totalizou 5 toneladas de equipamentos coletados em um único dia.

Citou algumas outras empresas também engajadas nas questões sócio ambientais e corporativas tais como a GM&C, SUZAQUIM,  OXIL e TECHNOLOGY CONSERVATION GROUP.

  • 1. Questionada a Profa. Teresa (USP) sobre estágio em que se encontram as pesquisas na USP sobre unidade robótica de desmontagem / descaracterização de PC’s e componentes. Segundo a profa. esse projeto deve estar sendo desenvolvido em um centro de pesquisa descentralizado da USP mas não soube dar detalhes do projeto.
  • 2. Foi discutida a abordagem que grandes fabricantes estão dando a produtos “Green” e do quanto tais projetos custam para a sociedade. Mencionou-se algumas iniciativas de empresas que investem em produtos sem uma análise prévia de mercado. Como nos consumidores podemos distinguir para definir uma fórmula de consumo consciente, o que é oferta séria do que é oportunismo? Resumo de algumas opiniões manifestadas pelos debatedores:
  • 1. Questionário de fornecedores sobre questões de sustentabilidade, se são ações sustentáveis as ações por eles desenvolvidas.
  • 2. Sony e Motorola fazem jogo para estimular consumo. Mas nós consumidores, ainda somos movidos pelo espírito consumista, ainda não temos esse espírito do ecologicamente correto “no DNA”.
  • 3. Como consumidores conscientes devemos questionar o que é marketing puro e o que é ação de sustentabilidade? Só quem pode dizer isso é pessoal da governança corporativa, e deve estar escrito. Entrar no site do fabricante e ver que compromisso eles tem com meio ambiente.

Sites sugeridos:

http://www.intechra.com/

http://www.metalex.com.br/

http://idgnow.uol.com.br/computacao_corporativa/2008/08/13/cloud-computing-entenda-este-novo-modelo-de-computacao/

Palestra: Melhoria Energética/Eficiência de Data Center 

O palestrante José Roberto da Silva (TC Solution) propôs a comentar a  eficiência energética para infra estrutura de data centers (DC), a começar pela iniciativa de Jefrey Immet (CIO da GE) em 2004, que ao discutir o tema “Green”  com seu staff de executivos, só obteve 20% de apoio a idéia de  desenvolvimento de uma linha Green de produtos da GE.

 Green DC é um termo que representa a filosofia de buscar condições para  redução do consumo de energia e melhorar refrigeração

 DC nos EUA representam cerca da metade do total dos DC instalados em todo o mundo.

Ponto críticos (emissão CO2): DC é o 4º maior emissor de Co2 na atmosfera , atrás de empresas aéreas (3º maior emissor), estaleiros (2º maior emissor) e companhias aéreas (maior consumidor de CO2)

Só no estado da Califórnia,  o consumo de energia elétrica pelos DC  gira em torno de 250 MW a 375 MW, o equivalente ao consumo de 3500 a 5000 barris de petróleo por dia.

Várias associações internacionais envolvidas com o tema “Green”

Requisitos das diretivas RoHS são na prática o Código de conduta européia para DC.

 Nos DC’s típicos, 30 a 46% da energia consumida é destinada a recursos de TI, o restante é para climatização e outros artefatos elétricos.

Foram apresentados vários demonstrativos de consumo de TI Equipments, suas taxas de  dissipação Térmica e algumas métricas para determinar eficiência em Data Centers:

  • PUE
  • DCiE
  • DCeP
  • DCP
  • CADE

PUE = Eficiência em uso de energia os DC

DCiE = Eficiência da infra-estrutura de DC

PUE = Total facility Power / IT Equip. Power (quanto mais próximo de 1 melhor!)

DCiE = 1 / PUE (quanto mais perto de 100% melhor!)

Para termos uma idéia da aplicação destes indicadores, o Google com cerca de 200 mil servidores (número presumido) apresenta um PUE = 1,25

A medida de desempenho de um DC matematicamente é simples ma a sua implementação é muito complexa pq envolve processos, pessoas e TI.

Foram apresentadas as 7 melhores práticas para eficiência energética em DC (mais frio não significa melhor, existem faixas de temperatura e umidade recomendadas para ambientes de DC). Recomendado: Entre 21 graus C e 24 graus C e umidade entre 45% e 55%.

Foram apresentados também alguns conceitos importantes que são levados em consideração ao dimensionar equipamentos de controle e fluxo de ar nos DC. São eles:

  • Equipamentos
  • (CL) Calor Latente (leva em conta o conforto: pessoas, umidade)
  • (CS) Calor Sensível (leva em conta a precisão: equipos, seco)
  • Vazão de ar
  • Variação do fluxo de ar, característica para CL e CS
  • Bases de umidade de climatização de precisão (muito seco è estática)

A distribuição do fluxo de ar nos Data Centers é um dos problemas mais críticos e é o que ocorre com mais freqüência. Pontos a considerar:

  • Corredor quente
  • Corredor frio
  • Hot spots
  • Organização layout (frente/traseiras, frente/frente, …)

Foram discutidos alguns cases onde ficou demonstrado que a disposição das máquinas em racks (layout físico) é muito importante, que o uso de placas perfuradas sob o rack é um erro por definição, que o perímetro do DC e passagens de cabos deve ser selado,  corredores quentes devem ser isolados (sem placa perfurada), que deve ser considerado o CFD (dinâmica fluxo x temperatura) e que a vedação de entrada de ar frontal com painéis de alta eficiência garante 100% de eficiência.

Mostrou-se a utilização de fotos termográficas e de termômetros de fita nos racks para diagnóstico de climatização e zonas de acúmulo de calor (hot spots), além da adoção recomendada de trafos de alta eficiência e de controle de harmônicos além de equipamentos de TI mais eficientes (consolidação e virtualização).

O desafio atual é: eficiência energética x disponibilidade. O uso de sistemas de resfriamento a base de água (chiler) é uma prática que deve ser muito bem dimensionado em termos de custo x benefício x eficiência.

Finalizando, apresentaram opções de mobilidade e baixo custo de DC (instalação em containers, para prédios sem espaço ou em condições críticas de controle térmico).

A tendência é que  DC’s terão características de mobilidade para se aproximarem de fontes de energia, e alguns já deram início ao uso de células de hidrogênio (fuel cell), a exemplo do que acontece com os carros movidos a energia elétrica. Fuel Cell geram como resíduo: H2O

Palestra : Reciclagem de materiais sólidos

O palestrante  João Santos - BULL teceu comentários sobre os temas:

- Green IT e green computing ainda não tem uma definição exata;

- Suprir e gerenciar TI pode ser parte do problema ou parte da solução.

NOTA: Comentário do palestrante sobre indústria de desmonte naval no Japão que faz desmanche de navios, elimina materiais poluentes e deposita no fundo do mar para em 2/3 anos se incorporarem à fauna e flora marinhas. Semelhante está sendo feito quando colocam resíduos AEE em altos fornos, a temperaturas que vitrificam os resíduos. Blocos gigantescos de vidro são então depositados no oceano Indico. Chamam a iss9o de “lixo limpo”!

ICT detem soma de 2% do total de emissão global de CO2 (similar a da aviação), segundo Gartner.

Agrupamento acima de 20 racks blade implica em elevação da temperatura no ambiente e aumento da despesa com energia elétrica

Europa adota “código de conduta” para DC cuja finalidade é basicamente reduzir consumo de energia.

Tendência em locar grandes DC’s em áreas naturalmente frias (Alaska, Patagônia) embora ainda enfrentem problemas de suprimento de energia naqueles locais.

WEEE = RAEE (Resíduos de Aparelhos Eletro Eletrônicos)

WEEE (decreto Lei 230/04 de 10/12/2004) na França

10 categorias envolvidas no RoHS - WEEE. Essas categorias comprendem eletrodomésticos (linha branca), outros pequenos eletrodomésticos (limitado a faixa de consumo em Kw), equipamentos Ti e TC, bens de consumo (TV , CD, DVD, rádios,…), luminárias e painéis, equipamentos médicos e de diagnósticos, etc …

Foi apresentada a orientação REACH (ver http://www.apambiente.pt/POLITICASAMBIENTE/PRODUTOSQUIMICOS/REACH/Paginas/default.aspx)

- Responsabilidades do produtor (Bull agrega AMD, Intel, etc … e por vezes desempenha o papel prático de uma montadora, tamanho o número de componentes multivendor agregados).

O produtor deve fazer provisão para fim de ciclo de vida de seu produto.

ECO DESIGN

ECO LABEL: Selo atribuído a produtos com performance ambiental durante todo o ciclo de vida do mesmo.

Ameaças a quem produz:

1. Não conformidade RoHS / WEEE (produtos ficam fora do mercado EU/ EUA)

2. Tempo para substituir componentes e processos adequados a normatização

3. Aumento no custo final produtos e impactos na produtividade

4. Proliferação de empresas não certificadas envolvidas em re-manufatura e reutilização

5. Falta de visibilidade sobre as diretivas

- Oportunidades:

  • Parcerias estratégicas
  • Benefícios e incentivos
  • Vantagens Competitivas

Desde 2005 todo material comercializado pela Bull apresenta selo para retorno ao fabricante. Tudo é reciclado. A Bull tem parceria com empresa especialista em reciclagem que tem em Lyon (França) uma área especialmente delimitada e preparada como aterro sanitário exclusivo para TI.

Questionado sobre a política adotada pela Bull no Brasil, foi respondido que não faz nenhum tipo de controle mais apurado sobre reciclagem porque segundo a própria Bull, estão tolhidos por questões legais, tais como a (re) incidência de impostos para sair com produtos do país e os altos custos envolvidos principalmente com equipamentos mais antigos.

Há um custo presumido de cerca de 18% sobre equipamentos Bull para implementar práticas que atendam RoHS e WEEE.

Palestra : TI ajudando a Sustentabilidade

Em sua apresentação Fernando Simões - Siemens, falou a respeito de:

- “Organizations can expect their carbon emission to be a public matter within 5 years”  (Gartner, May/2007)

- O segmento de TI é um dos poucos que pode contribuir efetivamente para eliminar ou reduzir significativamente impacto ambiental negativo devidos a  emissão de Carbono.

- Siemens investe no que chamam emprego de soluções “craddle to cradddle”(berço a berço) e Cloud Computing

- Observam questões relacionadas a sustentabilidade e responsabilidade social, com foco no triple bottom line em soluções de ordem holística.

- Peter Drucker: O que não pode ser medido não pode ser melhorado.

Citou a Câmara de Compensação de energia - mercado SPOT - energia em mercado paralelo legalizado e bem mais barato por usar excedente energético de DC, por exemplo.

Relacionou normas ISSO 1406xxx, de GEE.

Mencionou o desastre ecológico Cataguazes , que pode ser rememorado em

http://www.direito2.com.br/acam/2003/abr/7/deputados-acompanham-desastre-de-cataguases

- Protocolo de Kyoto (1997)  - mecanismo de flexibilização na forma de arranjos regulamentados que facilitam aos países atingir suas metas de redução de GEE ( 5,2% GEE (base 1990) entre 2008 e 2012).

 

Nelson Ricardo Gomes Miranda
ricardo@ciasc.gov.br - Fone (48) 3231 1387
Técnico do Ciasc, atua na área de Tecnologia, na Gerência de Data Center

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